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Descrição
Díptico, profundidade de 9 cm, 0,5 kg (ambas as peças), criado com uma técnica única: Structural Haptic 3D High Impasto Cosmic-volcanic
A «Magia» surgiu no momento em que se revelou em mim aquilo que, durante toda a vida, mantive oculto sob a superfície. O trauma da infância e a realidade crua que sentia, mas que durante anos me recusei a ver… e, no entanto, estava lá. Silenciosa, sombria, paciente e a sorrir para mim. E, um dia, já não me deixou fugir. Obrigou-me a parar, a respirar fundo e a olhar para os lugares onde dói tanto que preferi encobri-los com luz, risos e a força que me é própria.
Este díptico é precisamente esse momento de viragem. O instante em que algo se rasga dentro de uma pessoa, não para voltar a sangrar, mas para finalmente ver a verdade tal como ela é. E eu vi-a, ouvi-a sem querer. Sem ilusões. Sem desculpas. Sem máscara. Sem explicações. A fenda no meio é a minha cicatriz. Uma história que se gravou de forma irreversível no meu corpo e na minha alma. E quando finalmente a aceitei, deixou de ser apenas dor. Começou a ser energia. Começou a brilhar. Começou a transformar-me. Acredito que toda a verdade acaba por vir ao de cima. As camadas metálicas — ouro, cobre, bronze — não são adorno. São transformação. Magia que nasce exatamente ali onde estamos mais despedaçados. Da escuridão surge uma luz que já não pode ser silenciada. A magia é a minha alquimia: a dor que se transforma em força, a verdade que se transforma em luz, e eu, que me transformo perante mim mesma, porque já não sucumbo à esperança, nem à ilusão, nem às mentiras da minha própria família. Já não tenho mais nada disso, nem hipocrisia, nem mentiras, nem manipulação. Esta obra é o momento em que te deténs no meio do caos e, pela primeira vez, te permites dizer: «Sim. Aconteceu. E isso já não me vai definir, controlar nem ter qualquer poder sobre mim.»