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Descrição
Tintas à base de álcool sobre papel. Esta obra foi criada através da técnica de pintura com tintas à base de álcool – um meio líquido e singular que se resiste a ser totalmente controlado. O artista determina a direção inicial, mas a forma final é moldada pelo acaso e pelas propriedades físicas do líquido: a tinta traça os seus próprios caminhos e cria transições em camadas, nas quais um tom se funde suavemente noutro. A composição é entrelaçada por linhas de ruptura finas e quase imperceptíveis, que contrastam com os fluxos tranquilos e nebulosos de cor cinzenta e perolada. Não se trata de uma ruptura dramática, mas sim de uma tensão interior silenciosa, uma fissura que não perturba a integridade, mas se torna parte integrante da mesma. É precisamente nisso que reside a ideia central da obra: a estabilidade não significa a ausência de rupturas, mas a capacidade de manter o equilíbrio apesar delas.
A fiabilidade não surge da suavidade, mas de uma ruptura interna que foi superada e sobrevivida. A própria técnica torna-se uma metáfora do significado da obra; a artista confia o processo ao material e ao seu próprio subconsciente, permitindo assim que a imagem surja por si mesma, tal como a resiliência humana é moldada não por um plano, mas através de fissuras imprevisíveis e silenciosas das experiências vividas.