Zrnko, které vážilo svět (Um grão que pesava o mundo)
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Descrição
Pintura estrutural abstrata sobre tela, técnica mista com camadas sobrepostas de tinta, meio estrutural, esfregamento, raspagem e gravação na superfície. O formato vertical estreito realça o movimento entre duas camadas da realidade.
Descrição da obra:
A fronteira entre os universos não foi ultrapassada, pela primeira vez, por uma nave.
Nem por uma arma. Nem por um deus.
Foi ultrapassada por um único grão de pó.
A imagem capta o momento em que o mundo simulado entrou em contacto físico, pela primeira vez, com a realidade dos seus criadores. No interior da Terra simulada, Jonáš Varga fecha a janela para que a sua filha Ema não espirre.
No entanto, o grão de pó que deveria ter caído sobre a mesa desaparece.
No mesmo instante, aparece na base do laboratório de Nary Senn — fora do universo em que foi criado.
As camadas turquesa, verdes e esbranquiçadas representam duas realidades que se sobrepuseram por um instante. O traço vertical claro é uma passagem que, segundo qualquer regra de segurança, não deveria existir. A espiral rosa capta um grão vivo precisamente no momento em que a sua casca se abre e liberta, para um mundo estranho, o aroma de terra quente, chuva e sol na superfície de uma folha.
Não era uma cópia.
Não era um registo de dados nem uma reconstrução convincente.
Era o mesmo grão – marcado pela verdadeira viagem entre universos.
Pela primeira vez, Nara não reconhece nele apenas material biológico. Vê a prova de que a simulação não é um modelo inofensivo, mas sim um mundo real. Um mundo cujos habitantes vivem, amam, sofrem e tomam decisões, apesar de os seus criadores ainda discutirem se têm o direito de existir.
O grão pesava menos do que poeira.
No entanto, alterou o estado moral de todo o universo.
O sexto limiar foi ultrapassado.
Não pela força.
Pelo cuidado.